ministério da criatividade [o blog]

Publicado em arquitectura, arte, fotografia, moda, sociedade por ministerio da criatividade, em Maio 26, 2010

Afinal não foi um dia destes, foi, já a seguir.
Montei espontaneamente em cima da mesa esta belíssima composição de coisas que não estavam na realidade sobre a mesa mas espalhadas por aí.
Sou um gajo arrumado, “tens uma casa muito minimal” digno de elogio da Iwona, a namorada do meu amigo que vai à Polónia todos os meses e que me trouxe este chocolate. A arrumação geral do apartamento, faz sobressair sempre um conjunto de desarrumações, que se tornam por contraponto as coisas que andamos a consumir.
Este chocolate, é verdadeiramente muito bom, mas como é raro ter-se um amigo polaco, sugiro então os baratos chocolates do IKEA que por meio euro quase justificam uma ida ao MarShopping, seguida depois, noite dentro por um passeio à beira-mar, não para ver o dito, mas para ver a GALP à noite, em Leça, visão pós-apocaliptica de um mundo futurista de torres negras pintades de luz a branco e vermelho e um pouco de fogo sabe-se lá para que.
Ir a Leça, só de carro. Quanto a bicicletas, acabei de trazer a minha para o porto, a Sílvia, comprou uma, mas como não cabe no estrondoso enquadramento que projectei(para quem não perceba a piada, a Sílvia é fotografa, eu só disparo ao contrário da moda fotográfica produzida por arquitectos), faz-se representar pelo farol. Ontem, demos a nossa primeira volta urbana de bike. Ás 11 da noite está claro, ir ao centro da noite do Porto e voltar, a estudar sítios para amarrar a dita para se poder tomar um café numa destas noites que estão cada vez melhor, e não estou a falar do tempo.
Claro que esta história da bike foi influência do David Byrne. Como sabem, um dos mais brilhantes músicos que agora entrou numa fase menos interessantes, mas que em contraponto escreveu um livro bestial.
Diário da Bicicleta, tradução asquerosa para o português, apanágio nacional, é um livro que não fala de bicicletas, mas sim de urbanismo. O David conta-nos histórias sobre as cidades e a história da cidade, pegando no pretexto da bike. Delicioso (adoro este termo culinário adaptado à cultura). A ler, a todos aqueles que gostam da cidade, e aos que preferem o campo.
Ao lado, o folheto da Casa da Música mostra-nos o concerto do próximo dia 5 (para além disto, temos Serralves em Festa e a inauguração da MB): anbb. Não faço ideia do que vai sair daqui, na realidade nunca ouvi, mas como fiquei fã dos Einstürzende Neubauten como já referi, vamos arriscar.
Por baixo, encontra-se a nova arquitectura21, talvez o melhor que temos em publicações de arquitectura em Portugal. A Inês Moreira é a editor-in-chief deste número, onde nos mostra as experiências desviantes em arquitectura feitas meio por necessidade de afirmação, meio por vontade natural dos jovens arquitectos portugueses. Pelo meio, um interessante editorial do José Romano, ideal para introduzir os país no tema “Pai, Mãe, eu tirei o curso de arquitectura, mas estou mais interessado nos movimentos paralelos dos limites da arquitectura, porque agora gosto e porque não tenho trabalho nos limites tradicionais”.
Por fim, a ZOOT, na sua 3ª edição, uma revista de moda, acredite-se, portuguesa . A qualidade fotográfica é invejável, mas o que a mim me retém, é a capacidade empreendedora dos portugueses, que conseguem fazer uma coisa com qualidade para o mercado externo, usando muitos recursos internos.

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