Dei conta ontem do serviço de betonilha que estavam a desenvolver no meu playground partilhável. Hoje terminaram-no para satisfação do bairro e dos muitos transeuntes que ainda se deslocam a pé pela cidade. Sou um grande fã da betonilha esquartejada. A cidade não merece mais que isso. Um piso simpático para qualquer pé, fácil de reparar, de ser refeito quando o subsolo precisa de mais algum item.
Contudo, continuo revoltado com a confecção da estereotomia.
Muitas soluções seriam possíveis de por em prática: desde os raios sob um “ponto de fuga”, até ao ignorar do boleado, passando mesmo por uma terceira solução de alinhamento. Às vezes, por 2 cm não bate certo….
Isto bem a propósito de um filme que acabei de ver. Francês de 2004,Banlieue 13 fala-nos de uma Paris em 2010 ! onde a única solução possível para um bairro problemático foi mura-lo, e consecutivamente ( com spoilers) liquidá-lo à bomba. De um filme de porrada e alguns tiros, reservo-me o direito de salientar a fotografia e a cenografia, lindas, assim como todo o percurso rápido pelos prédios e espaço urbano em jeito de parkur, fazendo lembrar um filme que quero muito ver, o my playground, com participação especialíssima do nosso Bjarke Ingels.
Em 2010, encontro-me no Porto, num banlieue entre os passeios da Porto2001 e os Aliados, bem empedrados, e a terrosa, mas bem desenhada, rotunda da Boavista, quem na prática, nem para Feira do Livro serve quanto mais para jardim da música.
Mas como este bairro está entre os outros dois, então podemos dispensar os mais prestigiados arquitectos-estrela e passando por cima de toda arquitectura, atribuir directamente o projecto ao funcionário camarário que ao mesmo tempo o pensa e executa.
Nada que um bom artesão não saiba fazer, mas, para quem não se lembra, liquidámos os artesãos quando inventámos o ensino obrigatório. (PS: todos os “artistas” envolvidos no desenho não tinham mais que 30 anos, o 9º ou 12º ano e pouco menos cultura que um licenciado em qualquer coisa)

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