“se não formos capazes de comunicar algo que criámos numa frase simples, não temos uma ideia.
os arquitectos tendem a entrar num problema complexo, simplificam-no, e dão uma resposta complexa, porque assim demonstram que estão a lidar com questões complexas”
Roberto Saviano e a segurança
A meio do simpósio de sta. maria da Feira, Carlos Magno o Moderador, no seu estilo habitual orgulha-se de ter acabado de mandar um “SMS” a Rui Pereira, Ministro da Administração Interna com uma missiva de Saviano. Uma palavra de agradecimento pela forma discreta como é tratado pela segurança portuguesa.
Entro no recinto da Biblioteca Municipal da Feira, a segurança privada informa-me que era necessário ter feito inscrição. não o fiz. foi-me pedida a identificação e após ser portador de um bilhete de identidade nacional, apesar do meu aspecto descuidado com uma cabelo e uma barba mais parecido com um Comunista dos anos 70 do que um cidadão global fui reconduzido a uma segunda identificação para a posteridade.
Entrei, lá dentro já 4 polícias à paisana dominavam o mesmo número de cantos da sala.
Entra Saviano, a discrição está lá. ou não estivessem de pé, olhar duro e musculado, os 4 polícias passavam por cidadãos globais como eu.
Por detrás do palco, em alguns ângulos mortos essa possível vislumbrar um 5º polícia também ele à paisana, escondido por detrás das cortinas negras.
Roberto Saviano, escritor maldito como Rushdie que por aqui também passou, vive diariamente em controlado. O controle é com certeza da Máfia que o deseja morto, mas é sobretudo da Polícia Italiana, que o obriga constantemente a mudar de casa, que lhe controla 3 dias antes os movimentos, que o acompanha com 7 homens e dois carros blindados onde quer que já.
vi 5, não vi os carros blindados.
não houve intervalo nem para mandar uma mija e esticar as pernas, tudo isso porque Saviano não se podia levantar da cadeira sem que dois 7 calmeirões estivessem de acordo e os motores dos dois blindados já se tivessem ligados para a fuga necessária.
Roberto Saviano, breves conclusões sobre o simpósio

. hoje “apenas” se é perseguido não por pensar ou falar, mas se essas opiniões chegarem ao coração de muitas pessoas
. há duas hipótese: ou se é denegrido ou se é morto
. as duas maiores economias do mundo são o petróleo e a cocaína
. os Talibãs são vistos como terroristas, quando na realidade são os maiores traficantes de droga do mundo
. Portugal, aparentemente, não tem problemas com a Máfia, porque simplesmente, não morrem pessoas por isso
. com o apertar do cerco aos portos espanhóis para a entrada de actividades ligadas à Máfia, Portugal fica apetecível como entrada preferencial para a P.I.
. a retoma económica pós crise será em grande parte financiada pelo dinheiro da Máfia, pois é o único que se encontra realmente disponível
. a África está a ser re-colonizada pelos traficantes
. a Máfia pela sua extensa rede de contactos e corrupções é sempre a primeira a chegar aos sítios
. a Máfia trabalha na reconstrução de sítios pois pode arriscar onde os outros não arriscam, pois têm a capacidade de poder perder capital
. as organizações criminosas investem logo e pagam a pronto
. as Máfias operam em estados falhados, apetecíveis aos próprios e principalmente aos governantes locais, pois podem ajudar na reconstrução do país
. as organizações criminosas operam numa enorme diversidade de actividades e ramificações que é quase impossível apanhar-lhe o rasto
. só a Máfia Italiana é estática, sediada sempre no mesmo sítio, as outras mudam-se rapidamente entre os estados falhados: novos países saídos da URSS, Bielorrússia, Geórgia.., África, América do Sul, Ásia
. hoje, é um erro a Segurança Interna ser um problema apenas nacional
. os “Padrinhos” já não se matam uns aos outros como no filme, hoje, cooperam entre eles, como tal será necessário as estruturas de Segurança Interna cooperarem entre elas de forma a combaterem o crime na mesma medida em que este é cometido
. é necessário e está a avançar uma Força Única para controlo da fronteira exterior da Europa
. as Máfias criaram maior diversidade, maior imprevisibilidade, maior interelação e uma actuação assimétrica
Como dizia um Padre Italiano que foi morto por tentar combater a Máfia
“não me interessa saber quem é Deus, interessa-me saber de que lado ele está”
qual o ovo, qual a galinha, ou indissociáveis? 01

Olafur Eliasson, 5-dimensionel Pavillon, 1998

Herzog e De Meuron, Estádio Olímpico, Pequim, 2008
Viseu ou Guimarães, qual é o berço da nação global?
A inutilidade de atribuir um berço ao rei Afonso é inversamente aposta à utilidade extrema de Portugal se assumir como berço, esse sim, da globalização. Semana sim, semana não discute-se onde tomou Afonsinho de Portugal o seu primeiro Biberão.
Ora, hoje somos globais, global significa também, entre muitas outras coisas que não foram superadas, a capacidade que o ser humano tem em voltar a ser um colector-caçador, como foi em tempos, capaz de mudar de sítio de forma a encontrar as suas necessidades primitivas, que hoje, superam o comer e dormir e se assumem de reflectir e criar.
Temos obviamente que ter uma história, e precisamos de dar um berço ao Homem que nos proporcionou sermos globais, mas temos subentendo de superar a necessidade fundamental de credibilizar a primeira dormida do dito cujo.
Afonso Henriques foi o primeiro global, porque foi também o primeiro inconformação. Não contente com o condado de Porto-cale, quis eleva-lo a País, batendo na mãe e corrumpido o Papa, e mesmo depois de ter um País, bateu em tudo o que mexia de forma a extende-lo para reino de Portugal e dos All-garves.
Por tudo isso, mais importante do que definir o berço primordial, a história serve para nos dar força para continuar, confiantes no nosso passado, com vista a uma meta possível. Aos vimaranenses, deverá servir saber que foram berço não do homem, mas berço dos feitos do homens. Aos visienses, devera servir saber que provavelmente o tipo passou por aí.
Num tempo global, conta mais para a formação do homem,os sítios por onde passou, do que o sítio onde nasceu. ( o problema é só um: Viseu, tem em Viriato uma história mal contada e precisa de outro grande Português para ancorar um projecto de futuro)
pedimos aos donos disto que se apresentem no sitio do ministério da criatividade, a fim de serem devidamente elogiados.
o ministério da criatividade não sabe o que isto é, mas isto, é dos mais belos projectos que a web nos forneceu até à data.
por isso, muito obrigado por isto
legenda: ao verem isto, vão fazendo “anterior” até se fartarem

.
A história de Portugal precisava de ser contada desta maneira. Um livro para ser devorado em duas noites.
E o melhor, não foi escrito por um português.
Uma visão positiva do nosso país, uma história imparcial, que por aí nos leva à real qualidade dos nossos feitos.
Portugal tem de continuar o seu rumo.
Entretenimento inconsequente, perdeu-se uma boa hipótese
Os Gato Fedorento tinham tudo ao seu dispor para se assumirem como um contrapoder em Portugal. A oposição ao Governo e à própria oposição, à politica,à democracia do consumo.
A brincar, podíamos levar a sério o Gato. a brincar, esmiuçavam isso tudo, descredibilizavam o que já está em vias de descredibilização, punham a política no seu devido lugar, alertavam para a consciencialização nacional.
a brincar se podia falar bem a sério, a brincar se podia ser consequente e contribuir para algo melhor.
mas não, os Gato Fedorento mostraram que não passam de uns divertidos comediantes, que ao invés de serem social e politicamente incorrectos e e interventivos, são apenas social e politicamente brincalhões, que em vez de fazerem política contra os políticos, fazem política com os políticos.
o ri-te deles, passou a ri-te com eles, e isso é apenas puro entretenimento inconsequente.
Um governo de minoria is something to make.
Se a um governo que defende o TGV, a integração europeia e a tolerância afectiva, juntarmos uma oposição que dê mais dignidade e autoritarismo ao ensino e que apoe as PME´s, outra oposição que force o fim da corrupção autárquica e que vise o bom ordenamento do território, uma que apoie os trabalhadores, os pobre e oprimidos e por fim outra oposição que defenda os agricultores e os pescadores e a tradição da qualidade de produto nacional, então podemos finalmente ter um país razoável onde viver.
Entendam-se. e façam uma politica ecológica, ambiental, territorial e cultural conjunta, que não é de esquerda nem de direita
O ministério da criatividade, defende, que nas próximas eleições, a sociedade civil vote o mais pluralmente possível, de forma a ser impossível uma maioria absoluta com coligações esporádicas,sendo apenas possível governar o país com a soma das minorias
Manuela Ferreira Leite suicidou-se politicamente.
que o mundo se divide em progressistas e conservadores já sabíamos, que o PSD, tem desde Sá Carneiro evoluído para a direita, também já sabíamos, agora o que já não sabemos é diferenciar o PSD do CDS, o que não é muito grave, mas mais grave é, nem conseguimos diferenciar o PSD da Nova Democracia com um cheirinho a Nacional Renovador.
Depois do asco que lhe dá os casamentos e adopção gay, o aborto, os imigrantes caboverdianos e ucranianos, agora voltamos à celebre “de Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos”
O “orgulhosamente sós” anda outra vez por aí. Há época, estávamos sós com as colónias (menos mau), amanha, com ela, estaremos definitivamente sós, entre os espanhóis que não queremos, e um mar que já não sabemos navegar.
Ninguém gosta de Sócrates, ninguém crê que Sócrates mudou, ninguém, no seu correcto juízo votaria nele..
a menos que….
O PSD doutro´s tempos precisa-se.
Prison Break, temos direito a um final feliz
Prison break é um série de suspense. um thriller armado cheio de inteligência. personagens mais ou menos evoluídas intelectualmente interagem com outras mais evoluídas militarmente, traidores, governos, companhias secretas, num conjunto muito interessante e estimulante.
acontece que, ao fim de 3 temporadas (acabou ontem, na rtp1 a reposição total) cria-se uma relação com as personagens.
quem acompanha uma série deste calibre só pode esperar uma coisa, muito suspense e muita acção, basicamente, aquilo que a série nos deu. mas ao recebermos activamente todo este enredo temos sobretudo que receber algo como prémio por termos assistido a tudo o que o prision breack nos deu.
temos de receber um final feliz.
não há “lei” nenhuma que diga que quem gosta deste tipo de séries não admita finais felizes, pois bem, à série não é pedido um final feliz, não faz parte do conceito. quem assistiu a tudo merece acabar com a entrega do Cila ao seu devido sítio, acabou bem quando a missão foi cumprida.
para além disto, é um mimo, que os argumentistas e produtores dão aos seus seguidores. o certificado de que tudo acabou bem para todos os nossos heróis.
mas não acabou. 4 anos passados, não contentes, tiveram de matar Michael Scofield da doença que o acompanhou na última temporada e da qual pensávamos estar curado. não era necessário para o enredo da história, não era necessário o espectador saber disso.
Todo o mimo que precisávamos era saber que os nosso heróis viviam felizes para um sempre abstracto.
temos o direito a finais felizes, mesmo nas séries onde a felicidade não é a moral da história.
adenda: mas pelos vistos o Prision Break continua, está aí a 4a temporada, o que torna mais ridículo o desfecho da 3a

Produção moda l Mouzinho Silveira l 2009
Modelo l Filipa Abreu
Fotografia l sílvia pinto costa
Produção l andre ramos e sílvia pinto costa
The Expendables (2010)
Ainda me custa a querer.
Quem nasceu na década de 80 e nos anos 90 via muitos filmes na tv, e tinha um contrato com um clube de video, simplesmente adorava filmes de porrada e tiros. o mercenário, o antigo militar que procurava justiça pelo assassinato da mulher e filha (normalmente o carro explodia),artes marciais, filmes de guerra género resgate de fulano de tal esquecido no vietnam…adiante
Silvester Stallone, que agora escreve e dirige filmes prepara para 2010 uma bomba.
Stallone, Swarzennegger(sim, o governador), Bruce Willis, Mickey Rourke, Dolph Lundgren e Jason Stayham todos no mesmo filme….
o sonho da nossa juventude finalmente concretizou-se, pena é que mais velhos não lhe vamos dar (secalhar ainda bem) o valor doutros tempo, pena, que os putos de agora, com a sociedade do quero-tudo-e-já, não saibam o que isto significa e já nem os mais ridícolos herois-reais do cinema os fascinam.
ficam a faltar o Van Damme e o Chuck Norris
As casas dos Políticos
a nossa condição de “coscuvilheiros”, leva-nos a gostar de ver os políticos em casa, sem gravata, numa conversa amena
Claro que não é só os políticos: é complicado viver num prédio sem isolamento sonoro, sabendo que qualquer ruído (in)desejado da nossa parte nos transforma em perversos predadores sexuais e que uma vida sem cortinados nos transforma num real.big.brother, a noitada excelente da dona de casa de média idade do prédio da frente, bem escondida atrás da roupa a secar na marquise.
Mas as casas dos políticos, essas sim, pelas sua inacessibilidade fascinam-nos.
quantos portugueses votam nos políticos pelas casa? nenhum creio eu, mas é divertido.
se assim fosse, Sócrates receberia 0 votos pois não me parece que passe as noites a ver os pescadores, medo de mostrar uma porta secreta num wc? vergonha na decoração? receio de mostrar uma inexistente biblioteca?
se assim fosse, Jerónimo era primeiro ministro, apenas mostrou a sua humilde casa por fora, uma casa normal, de um português modesto, que o melhor que tem para oferecer é um café, de pé, na tasca ao lado, junto do povo com quem joga à sueca.
se assim fosse, Louça, que se quer mostrar culto e urbano, um político para o sec. 21 (com ideais dos finais do sec 19), mostra uma casa antiga, provavelmente um andar num prédio neo-qualquer coisa do sec 20, mobilizado com madeira escura rebuscada, cheio de burguesices, fotos antigas, LP´s, livros e umas estranhas ornamentações na parede.
se assim fosse, Portas perderia, é o antipoda do que defende, intelectual de livros e arte, com corredores vermelhos, estrelinhas no tecto e um kinky abjecto painel rotativo, que Andy Warhol faria se se tivesse lembrado.(ah, e come suchi)
esperamos o humilde lar da Manuela, atentamente.
Asfixia democrática
não sei o que é se entende por asfixia democrática. nem fiz, nem sou filho mas sim neto de Abril. Como, para mim, a ditadura é um período da história que deve ser estudado para se evoluir e não sentido com mágoa ou saudade, fico sem termo de comparação para avaliar o caso.
no entanto respira-se um bocado mal.
não sabendo o que é a tal de asfixia democrática sei contudo o que é a incompetência democrática, pois vivo nela há 25 anos.
Ascenso Simões, é Secretário de Estado da Administração Interna, vela pela segurança interna do nosso país e..o prato do dia das suas intervenções no twitter são assim:

depois os cornos do Pinho é que estragam tudo…
Análise à sondagem de hoje.
A duas semanas da dita, os portugueses (o tal problema da maioria e não da soma das minorias):
-não gostam do Sócrates, mas gostam assim assim das suas políticas,
-não acham grande piada à Manuela, não percebem o que ela tem para oferecer, mas o ódio ao Sócrates é maior
-gostam do Louçã, mas votam nele apenas como protesto
-ainda temos alguns comunistas
-revêem-se no discurso do Portas, mas sabem que não fará o que diz (se for governo de coligação)
Na interessante entrevista que 4a feira, Joe Berardo deu a a Nilton (atenção. o único mestre de cerimónias do 5 pá meia noite que realmente entrevista), este defendia como tantos outros o voto obrigatório.
o ministério da criatividade repudia esta tomada de posição, apenas admitindo tal ser possível quando os habituais branco/nulo forem substituídos por:
X – não me revejo nas políticas apresentadas.
X – não me revejo neste modelo político
X – quando os políticos estiverem livres da corrupção começo a ler programas eleitorais
os beijos proibidos de Stallone e da Gripe A
Em 1993, Demolition Man reunia Stallone e Snipes, á porrada num mundo futurista provocado por um grande terramoto que tudo destruiu.
sendo eu fã de filmes que se baseiam nos temas lançados por Orwell ou Huxley (ver personagem de Sandra Buloock, chamada Lenina Huxley) este filme, porradas, tiros e devaneios à parte, incorpora o tema de “um mundo melhor”, uma sociedade futurista unitária, comunitativa, segura, fresca e “verdinha” no meio de edifícios género ipod e carros automáticos.
adiante, a curiosidade maior deste filme advém, de através de uma imaginativa doença, o contacto físico, quer de saudação, quer sexual era proibido, como meio de evitar a epidemia.
ora, em 2009,16 anos passados e dez anos antes da data presente na história, a tal doença imaginativa parece que finalmente chegou até nós.
chama-se Gripe A, H1N1, e o governo Francês pede agora aos seus cidadãos que evitem o contacto físico, beijos de amigos e amantes, abraços, quem sabe o sexo eventual.
O ministério da criatividade pede aos seus seguidores duas coisas muito simples
1.que se informem bem sobre a Gripe A e que não façam juízos de valor proveniente da desinformação dos média
2. que reconhecem que a probabilidade de apanharem Gripe A é enorme, mas que, se forem minimamente saudáveis não vão sofrer danos de maior
3. que posto estes 2 pontos se abracem, beijem e fodam com toda a naturalidade e sem medos, tomando as devidas precauções externas à Gripe

Os 4.5euros da MFL na Madeira
algo que muito me fascina no mundo da comunicação social no que toca a política são as prioridades.
sabemos de antemão, que a comunicação social, mediante o enfoque que dá a uma notícia tem o poder de por o país a falar dela numa semana, ao mesmo tempo que resguarda para meio do telejornal, ou numa pequena coluna de um jornal por vezes temas de enorme interesse.
Depois dos recentes Manuel Pinho, da Joana A. Dias, das escutas ao presidente, do Freeport, da tvi…a com. social presenteia-nos um caso gravíssimo:
a Manuel Ferreira Leite, em visita de campanha à Madeira gastou 4,5euros em gasolina de um carro de Estado oferecido pelo Presidente da Região Autónoma em Causa. 4,5e dos impostos dos portugueses.
Ora, o Manel Pinho pode andar a foder o orçamento de estado em empresas falidas e ninguém se chateia, mas não pode mostrar uns merecidos cornos à bancada comunista.
e o mesmo Manel Pinho não pode andar a usar Falcons das Forças Aéreas em Visitadas do Estado, sem que o próprio Estado (Político) os pague ao Estado(Militar,) mas pode o seu governo usar o dinheiro dos contribuintes em autoestradas sem nunca a sociedade civil ter conhecimento, porque não quer e talvez não possa ter consultado os estudos inerentes à coisa.
andamos a discutir acessórios a mais.

nascido em 1922 com uma biografia que sempre olhou o ordenamento do território, o ministério da criatividade tem o prazer de sugerir a entrevista com uma das mentes mais lúcidas e incorruptíveis do nosso país.
http://o-planeta-diario.weblog.com.pt/2005/10/goncalo_ribeiro_telles_tece_fo.html
Politica 2.2
reorganização dos ministérios do governo
ministério da cultura, criação e inovação:
pretende alargar a acção do ministério da cultura, apoiando a criação e inovação, de forma a construir um progresso cultural apoiando o progresso económico
actua em parceria com o m.do ensino e da economia
ministério das cidades:
supervisiona as autarquias de forma a contribuir para um correcto desenvolvimento das cidades: actua sobre a reabilitação das cidades, edifícios e espaços públicos (hospitais, escolas, dependências estatais, museus..); controla os índices reabilitação, nova construção e expansão das cidades, reequilibra a periferia, demolindo-a ou dignificando-a com a construção de espaços públicos; promove a iteração de cidades próximas em rede.
actua em parceria com o m.da cultura, infrastrutura e ordenamento do território.
ministério do ordenamento do território:
substitui o anterior m. do ambiente. reequilibra a dicotomia cidade-campo, cidade-aldeia, urbano-rural, acentuando essa realidade. promove a reflorestação, reabilitação da costa e as energias renováveis.
actua em parceria com o m.das cidades de forma a defender zonas urbanas, naturais ou agrícolas e com o m. da infraestrutura de forma a aproximar a os tempos de deslocação diária cidade-campo
ministério da infraestrutura:
completa a acção do m.das cidades e do ordenamento do território, contribuindo para o aproximar de realidades opostas quer nos transportes, quer nas telecomunicações
ministério da economia, agricultura e pescas:
sendo a agricultura e pescas uma forma de economia não faz sentido separar as realidades, passando as 3 a pertencer a um grupo igualitário para o desenvolvimento do país.
ministério do ensino:
sendo a educação dever dos país, amigos e familiares da criança\jovem, o m. da educação é substituído pelo ensino. abrange desde a infância à universidade, passando pelos cursos tecnológicos.
actua, preferencialmente com o m. da economia, de forma a preparar a entrada no mundo do trabalho respeitando as suas necessidades e com o da cultura de forma a preparar o base cultural e cívica do cidadão.
Politica 2.1
em sequência da avaliação do governo operada pelo ministério da criatividade no ponto 2.0, passamos agora a uma explicação
notas positivas:
12 foi a nota mais alta atribuída a algum ministério: os negócios estrangeiros pela maneira como, independentemente do teor do documento, operou no tratado de Lisboa e pela relação de corporalidade e cooperação internacional;
saúde pela eficaz reacção à Gripe A
11 ás finanças pela consolidação orçamental dos primeiros 3 anos, podendo ter sido mais alta caso essa consolidação tivesse dado melhores frutos na reacção à crise
10Seg. social e trb. não é mais alta por falta de uma melhor fiscalização
Ciencia, pelo trabalho aí desenvolvido, não sendo mais alta pela falta de qualidade nas outras competências do ministério
notas negativas:
atribuem-se notas negativas 2-9 a todos os ministérios que apresentaram trabalho, mas este ou foi insuficiente (ex. cultura e obras publicas) ou mal feito (ex. educação)
nota 0:
atribui-se nota zero a todos os ministérios que não apresentaram trabalho, ideias, medidas, programa, intenções, ou na eventualidade de terem um não o puseram em prática.
atribui-se apenas a nota 0 a ministérios fundamentais para o desenvolvimento do país.
Politica 2.0
avaliação do governo
ministério dos negócios estrangeiros: 12
ministério das finanças:11
ministerio do ordenamento do território, ambiente e desenvolvimento regional: 0 (0+0+0)
ministério da educação: 2
ministério da agricultura, desenvolvimento rural e pescas: 0 (0+0+0)
ministério da cultura: 4
ministério da economia e inovação: 3 (5+1=6 /2)
ministério da defesa nacional: 4
ministério da administração interna: 8
ministério da justiça: 0
ministério das obras publicas, transportes e telecomunicações: 7 (4+2+11 /3)
ministério do trabalho e da solidariedade social: 10 (10+9 /2)
ministério da saúde: 12
ministério da ciência, tecnologia e ensino superior: 10 (15+9+6 /3)
ministério dos assuntos parlamentares: irrelevante
ministério da presidência: irrelevante
o ministério da criatividade atribui assim a uma avaliação de conjunto a este governo, na figura do seu primeiro ministro josé sócrates a nota de 6 valores
O Aeroporto , Pedro Santana Lopes e o 5 para a meia noite
Aeroporto 1.0
Convínhamos, ninguém pode perceber alguma coisa de aeroportos ou tgvs. estudos, pareceres, economia, ecologia, engenharia, política, geografia e interesses pessoais, são todos dados para a mesma resposta.
a escolha política é uma escolha difícil mas sempre uma escolha. ao político, basta ler os dossiers, escutar opiniões, mas no fim de contas, das duas uma: ou a sua escolha é fruto de uma opinião pessoal, ou é fruto da opinião corrompida dos seus. Mas uma escolha é sempre uma escolha pessoal, independentemente das permissas envolvidas na escolha.
e o ministério da criatividade também tem uma escolha para o Aeroporto.
5 para a meia noite
Após alguns horas sobre o entediante debate Sócrates-Portas, o 5 para a meia noite, programa de entrevistas com género humorístico da rtp2, opunha Pedro Santana Lopes a Nilton. uma conversa agradável onde no meio de piadas e sketches cómicos, PSL falava da cidade e das cidades, e pela primeira vez em televisão, fora do mundo dos debates e entrevistas pachorrentas e burocráticas apresentava as suas ideias para a cidade.
O ministério da criatividade assume a sua preferência por este género de programas que ao suavizarem questões de politiquice deixam ao político a sua margem necessária para apresentar ideias e não a “pura defesa da candidatura e justificação das águas passadas”, como alías se viu no debate político tvi, horas antes.
Aeroporto 2.0
ponto assente, o ministério da criatividade não nutre qualquer admiração especial por PSL.
mas PSL assume-se com o candidato com uma melhor escolha sobre o aeroporto de Lisboa, que é tal e qual a mesma escolha do ministério da criatividade.
PSL e o ministério, afirmam que Portugal, como um país periférico tem de fazer de tudo para se aproximar da Europa. Uma das principais características de Lisboa, como destino turístico-cultural-económico, resume-se à qualidade que advém de ter um aeroporto no centro da cidade, onde o viajante pode chegar e usar instantaneamente a cidade, sem perder tempo em deslocações tristes pelos subúrbios até chegar ao destino.
o ministério da criatividade, escolhe assim, manter um competitivo Aeroporto-Europa em Lisboa, de génese voos europeus, escolhe construir um ou mais, consoante as necessidades (que não entende, nem consegue entender) Aeroporto-Low cost nos subúrbios, e um Aeroporto-Intercontinental, longe da cidade capaz de se assumir como ponto de escala europeia de voos provenientes dos continentes mundiais.
adenda: Face à impossibilidade de compreender todas as premissas envolvidas e fazer a escolha certa, e cruzar essa escolha com viabilidades económicas, o ministério da criatividade fez a sua escolha.
Uma questão de personalidade
Poucos são os portugueses que lêem programas eleitorais. Poucos são os portugueses que os sabem ler. Poucos são os portugueses que compreendem o conteúdo da palavra “reforma” fora do seu contexto natural. Poucos são os portugueses que sabem o que significa acção social, pib, OCDE, Tratado de Lisboa, PME, ou mesmo coisas tão simples como desenvolvimento e progresso.
Sócrates é um mestre da comunicação. Desvia-se de toda e qualquer pergunta e direcciona a entrevista para o sua própria agenda.
Mas uma coisa, no meio dos nomes estranhos e das propostas que não lhe fazem comichão no umbigo os portugueses percebem. Que há um senhor que muda de personalidade, que ao invés do estilo arrogante, agora aparece amistoso e simpático, e sabem-no sobretudo porque os média assim lhe ensinaram.
Sócrates atira lanha para se queimar entrevista após entrevista. Os portugueses não estão interessados em progresso e desenvolvimento, na maior ligação ao “centro” que é a Europa onde tudo acontece. Estão interessados na falsa vaidade não ao próprio dos fatos de Beverly Hills “arranjadinhos”, mas à dos filhos. Estão mais interessados na tal “verdade” que é “antiquada e conservadora”, assim Sócrates a afirmou.
MFL é como a maioria dos portugueses: ainda acha que o casamento é para procriar. ainda acha que deus não fez dois homens para se amarem, e que uma mulher que teve dois “maridos” ainda é uma rameira. ainda acha que a nossa nação que foi global e que acabou na imigração não deve albergar pretos e orientais.
MFL é como a maioria dos Portugueses. Sócrates ao critica-la só os perde portugueses e não ganha os globais, pois esses, que sabem que esta democracia do consumo não nos leva a lado nenhum vão direitinhos para o BE.
A entrevista de ontem, pela televisão, o meio mais “português” de influência sobre o voto, enterrou Sócrates num rol de coisas que o povo não percebe e coisas nas quais o povo não se identifica.
Mais valia não se encenar no papel do cordeirinho arrependido, que “em muito falhei comcerteza” porque parece que toda a arrogância de Sócrates agora passou para MFL, e afinal, os portugueses gostavam era disso.
A minha relação com Sócrates.
Sócrates chegou, cabelo grisalho, fatos suaves, gravatas com cores modernas, ar duro mas sorridente. O estilo determinado, confiante, ambicioso e com a austeridade a tocar a arrogância fascina qualquer um. Depois do falhanço das democracias modernas adaptadas ao nosso Portugal, chega o Senhor Presidente do Conselho, parecido ao outro, com honras de ditadura democrática, de ministro-rei nomeado por um deus que somos todos nós, à nossa vontade de imagem e semelhança.
O homem que dissera que se tivesse feito metade do que prometia que não se voltava a candidatar-se pois as medidas iam ser tão impopulares como fundamentais, volta ao ataque, sem ter acrescentado nada aos nossos miseráveis 35 anos de democracia
Progressivamente. Com determinação e confiança, pensava-se que tinha um projecto para o desenvolvimento do país. O projecto não existia.
Progressivamente. Com determinação e confiança, apareceram só um conjunto baralhado das boas ideias e as menos boas, e sobretudo as menos agradáveis. As boas ideias, postas em prática, falhavam umas atrás das outras na sua concretização.
Progressivamente. Com determinação e confiança, ficaram as más concretizações, com penas pesadas para uma metade de Portugal e uma nulidade para a outra metade.
Finalmente. Sem determinação e confiança, a única arma coerente e capaz que dispunha, um tal de estilo, muda o marketing, soa a música, agitam-se as bandeiras, de olhos tristes e sorriso ameno, avança, pronto a conquistar corações, de novo, destinado a superar os seus erros na cultura, a semear creches e lares socais, a vencer a batalha do progresso tecnológico e do tgv como a sua nova mandatária.
Haverá menos mau por aí?
Não há nada melhor para definir Francisco Louça e Paulo Portas do que esta imagem.
São para a política portuguesa o anjinho e o diabinho, que nos dizem o que devemos fazer e o que queremos ouvir, mas não têm qualquer consequência no andar do país. Para além disso, o interessante é que o anjo e o diabo são o saleiro e o pimenteiro, temperos para a nossa política, mas que nunca passarão a alimento principal.

a dúvida que resta é qual é qual…
O problema do Bloco de Esquerda
O Problema do Bloco de Esquerda é que, sendo um partido político não serve para nada. Sabemos que em Portugal existe um saudável, ainda que incompleto, como incompleta é a democracia, sistema de bipolarização política entre o PS e o PSD,
Ora, vivendo neste regime moderado, onde o interveniente político, face a um cavalgante período de perda ideológica, apenas tem de resolver problemas concretos a que ao estado diz respeito, deixando socialismos e liberalismos para os teóricos e comunicação social, o papel do partido político é apenas um: ou é governo e governa, ou seja, regula o país segundo um moderado sistema mundial, ou é oposição e vigia, mandando aqui ou ali uns bitaites que supostamente melhoram a ordem estabelecida, preparando-se enquanto espera a sua volta.
Não sendo este um modelo perfeito, mas perfeitamente capaz de ser melhorado, deixemos agora de parte os melhoramentos e centremo-nos na ordem da premissa.
O Bloco de esquerda, assume-se como um partido de oposição.
Ao analisar as últimas entrevistas do líder do Bloco de Esquerda podemos chegar as seguintes conclusões.
1. o BE sabe que nunca será governo sozinho
2. o BE nunca fará coligações com um partido que pense ligeiramente diferente dos seus princípios para formar governo
3. o BE quer ser o símbolo da coerência, mesmo que isso não a leve a lado nenhum
4. o BE não tendo pretensões de governo, simples ou coligado, tem a capacidade de dizer tudo e prometer tudo, sem risco de se verificar o contrário
5. o BE sabe que como dissidente comunista nunca será bem visto
6. o BE sabe que é a melhor oposição pois é uma oposição inconsequente
7. o BE sabe que progressivamente irá tendo uma cada vez melhor posição, uma vez que engloba todos aqueles que votam sempre num partido e estão descontentes, os descontentes com o PS, os descontentes com o PSD, os descontentes com o PCP
8. o BE sabe que é um brilhante produto de marketing e de estilo
9. o BE não diz o que faria se fosse governo
10. pois o BE conhece as consequências se as suas propostas fossem postas em prática, chamam-se normalmente regimes totalitários
11. no entanto, o BE somos todos nós, os descontentes que não temos capacidade ou coragem para mudarmos isto tudo, nem estamos dispostos a regras corporativas, os reguladores do que os “outros” fazem mal, o natural “bota-abaixo”, pois a política é assim.
Na sociedade em que vivemos os partidos de oposição têm uma meritória tarefa. Controlar, vigiar e regular o trabalho ou falta dele, do partido político no governo. A sua função é crescerem até ao ponto de se assumirem como pretendentes possíveis ao lugar, como sabemos a concorrência é sempre saudável e melhora o trabalho dos que detêm o poder. Quanto mais forte em percentagem de voto estiver a oposição melhor é o trabalho desenvolvido pelo governo. No entanto só há um senão. Por oposição entende-se a tal competição. Um partido opõe-se ao outro com pretensões de chegar lá, ao poder, uma vez que o Bloco, pelo entendimento das palavras do seu líder, nada faz para lá chegar, então, de nada serve.
Oposição inconsequente faço-a eu aqui e aqueles 4 velhos sentados no café lá de baixo que mandam umas bocas ao governo no meio de uma sueca, um partido deve ser consequente dos seus actos e ter a consciência de que quando for governo fará melhor, e o Bloco não o é.
O Problema da democracia e o metodo d´Hont
O Problema da política em Portugal não é só um problema de ideias ou falta delas, de responsabilidade ou de incapacidade dos intervenientes políticos, é sobretudo um problema matemático.
O Método d´hont é o método utilizado para a representação proporcional dos intervenientes políticos e pode ser consultado neste site
http://teoriadaseleicoes.blogs.sapo.pt/285.html
Quando votamos, para a assembleia municipal ou assembleia da república, devíamos estar a escolher uma pessoa da nossa confiança para nos representar. Alguém ou com o qual nos identificamos ideologicamente ou com o qual sabemos que podemos contar caso necessitemos do confronto directo de opiniões, por exemplo, que vai defender por nós que não transformem um mercado num shopping ou que não seja construída mais uma auto-estrada Porto-Lisboa.
O que acontece, e aqui, outros problemas da nossa democracia à parte, é que o fulano que nos representa num determinado cargo não é uma figura com a qual nos identifiquemos e possamos pôr e tirar consoante a qualidade do seu trabalho, mas um fulano escolhido pelo partido, que este pode gerir a seu bel-prazer.
O ministério da criatividade afirma que o Povo, a Sociedade-Civil (já que parece que a palavra Povo ofende) é maior de idade, pensa pela sua cabeça, tem ideias próprias, reconhece os problemas ainda que nem sempre consiga apresentar uma solução, e tem a capacidade de avaliar o trabalho dos seus representantes.
O ministério da Criatividade defende, que o Método d´Hont seja substituído por um método de representação directa, à percentagem, uma pessoa um lugar. As pessoas, transformadas em políticos passam a ser sujeitas a votação directa, e não a votação partidária. O Povo, ao deslocar-se à urna de voto deve votar não num partido e esperar o representante que lhe calha na rifa, mediante o método d´Hont, mas votar num pessoa identificada, a qual saberá que terá de ouvir aqueles que em si votaram e responde só, perante eles e não perante o partido.
Para simplificar a questão: nas próximas eleições legislativas eu vou votar no senhor A.T, na senhora J.A. e no senhor Y.S. . pelo distrito do Porto para me representarem durante 4 anos, com os quais me identifico, com os quais sei que posso falar caso tenha algum problema ou divergência ou os quais sei que posso avaliar e ter pretensões de os retirar do cargo ao fim do ciclo eleitoral. Os senhores A.T e Y.S. e a senhora J. A. pertencem a partidos políticos identificados, e é saudável que assim seja, assim como podem pertencer a movimentos de cidadãos, grupos, associações ou serem candidatos a título individual.
O ministério da criatividade, antevê com esta proposta uma relação mais saudável e directa, de responsabilização mais concreta, do Povo com os intervenientes políticos que os representam a sí, individualmente, e não à ordem partidária onde se inserem, por método de avaliação directa.
Com esta proposta, o ministério da criatividade pretende também reduzir o número de deputados, assim como pretende restaurar a liberdade de voto em detrimento do voto partidário.
O minimalismo do PSD
Quando há tempos ouvi falar que o PSD ia apresentar um programa minimalista, primeiro fiquei surpreso e depois expectante. A política, nada tem de minimalista, nem pode ter. Pode contudo, o tal minimalismo, provir de uma ideal forte, uma ideia de desenvolvimento do país, assente em dois ou 3 pontos chave, que normalmente tendem a ser primeiro económicos e depois culturais, sem nunca esquecerem as funções sociais e de justiça, segurança e educação, as tais funções base do estado.
Confesso que não li as 40 páginas do programa do PSD, muito menos as centenas de páginas- promessa do mesmo programa do PS, prefiro sempre ler os resumos que a comunicação social nos presenteia. Cruzo os artigos dos jornais liberais com os conservadores, dou um salto aos socialistas e faço juízos de valor com os fundamentos base que me são apresentados: 1. porque não tenho paciência para ler programas políticos, 2. porque se o fizesse seria uma perda de tempo completamente inútil (aliás, nada tenho contra a perdas de tempo úteis).
Desta forma o minimalismo do PSD nem é de ordem ideológica, no sentido de se basear numa ideia forte de desenvolvimento para o pais, nem é uma metáfora para a simples leitura de um povo (ou sociedade civil, como agora se diz) pouco preparado, e assim face à irredutível “verdade” perceber em quem votar, `minimalisticamente ` falando.
O programa do PSD são 40 páginas de uma conversa de café, onde se sabe que a justiça vai mal, mas a educação vai pior, que o estado não paga a tempo e horas, que as ruas não estão seguras, que há gajos a mamar o rendimento social de inserção porque não querem trabalhar, e gajos a mamar de cargos do estado sem trabalharem efectivamente…mas tal como numa conversa de café, onde se bem diagnostica o que vai mal, mas não se tem uma única medida concreta para por isto a andar, o PSD, tal como os outros, não fazem a mínima ideia como é que um estado pobre consegue vencer os problemas do dia a dia, muito menos os mundiais.
Minto, do programa do PSD conseguimos duas medidas chave para o desenvolvimento do país: que o casamento homossexual jamais, neste país conservador e católico e que o TGV jamais jamais, preferindo pequenas obras públicas, quais não se sabe, como muito menos.
Mas como li por aí num jornal liberal, não houve altura em que se precisa-se tanto dum PSD como agora, porque? Não sei, talvez porque o tipo que escrevia fosse patrão. Li também que se precisava de um PS confiante no trabalho que fez, qual?, e que continua-se a sua linha, esse tipo, das duas uma, ou gozava do rendimento mínimo ou tinha um belo tacho público.
…
Mas a democracia ainda é o melhor sistema político que temos.
Carta de Miguel Portas à mãe
Olá mãe, como estás? Por aqui vai tudo bem. Quer dizer, vai indo. Nós não decidimos nada, passa tudo por eles, os neo-liberais, até os socialistas andam com dificuldade em fazerem as suas propostas passarem. O que vale ainda é o Obama, que indirectamente inspira o mundo de mudança que todos queremos alcançar.
Outro dia fiz em Photoshop uma montagem do avô cantigas e do Vital, arranjei umas músicas do fantasminha brincalhão e passei aí pelo pessoal da esquerda. Já chegou ás mãos do Durão, e o coitado do Vital já não sabe onde se meter. Eu até gosto do gajo pá, ao menos dá para conversar com ele, já não aguento a Ilda, que anda sempre a gritar co Melo. O Rangel nem o vejo, sempre metido nos gabinetes dos neo-liberais, curtem muito o gajo, e parece que é o menino querido das chefias. Achas que se fizer uma analogia entre ele e o castor da pasta de dentes, aquela com plantas da natureza aquilo pega ou é muito rebuscado?
Bem, mais uma vez te agradeço teres votado em mim nas últimas. Tu não admites, mas eu sei que sim. Não sei se foi por minha causa, para me arranjares companhia para aqui, sentia-me tão sozinho em Bruxelas, não se passa nada, isto é muito burocrático e a vida fora do parlamento é um tédio. Se calhar votas-te em mim, porque no fundo achas que o Paulito não ganha nada sem o Melo e o Feio por aí por Portugal. Até é bem verdade. O Melo é só gajas, não quer saber do trabalho, já o Feio dá-me jeito lá no Bloco, o gajo é um burocrático do melhor.
Mais uma vez obrigado por me teres trazido companhia. A Marisa é porreira, ficamos até ás tantas a falar do Trotsky e a beber umas cervejas, que são muito boas por aqui. Falamos dos excessos do Chavez, da China cada vez mais capitalista, apostámos o dia da morte do Fidel e congeminamos como será Cuba a partir daí. Também queria um país só para mim, um país cheio de cultura, onde se trabalha-se pouco, 6 horas por dia e o resto do tempo o país sempre em festas, género avante, com música, bebida, conversas até cairmos quase num coma alcoólico. Pobres mas felizes, como no tempo do Salazar, mas com mais cultura, a vivermos todos em cidades bem estruturadas…bem, adiante.
Já não suporto o Rui Tavares, é um chato de primeira, sempre a lamentar-se que não percebe nada disto, que é um péssimo politico, que isto não e para ele, que só quer escrever nos blogues. Tá sempre no twitter aquele gajo. Felizmente tenho a Marisa que me vai fazendo o trabalho de sapa, e eu posso tar aqui, na minha sem me chatear.
Escrevi-te para te pedir uma coisa. Vota no Paulinho nas próximas. O puto anda tão sozinho, ficou sem o Melo e o Feio, e não tem lá ninguém para o ajudar. Ajuda o gajo senão aquilo desaparece e tou cheio das crónicas dele de cinema do sol, o gajo nem sabe escolher os filmes quanto mais falar deles.
Sim, não é só pelo Paulinho. Já não suporto o Xico, o Louçã, eu consegui o terceiro lugar e agora o gajo gaba-se dessa merda como se fosse dele, e não, fui eu que consegui.
Por isso a ver se o gajo perde estas e fica atrás dos camaradas do pc. Não é que eu queria ir para lá, detesto o poder como sabes, o Fazenda e a Drago que tratem disso, já que o Rosas é como eu e só quer que o deixem descansado.
A minha voz está melhor, ando a fumar menos com estas restrições da Lei do Tabaco.
Tens escrito mais livros sobre a menopausa e a culinária? Ás vezes penso que fazes mais por este país com os teus livros do que eu e o Paulinho juntos.
Votas nele mãe? Fazes-me esse favor?
Eu vou dando notícias, agora vou-me reunir com os camaradas comunistas europeus, levo os tampões para quando a Ilda falar e a Marisa para interceder por mim, que tou cheio disto, não me deixam ir para casa. Em casa ficou o Tavares, amuou, diz que não quer ser deputado e fechou-se no wc com o pc para escrever para o twitter. Se ao menos o Feio fosse do Bloco.
Até amanhã mãe.
Diário de Paulo Portas
Olá meu Deus. Como vais hoje? Eu vou bem, muito bem, maravilhosamente bem. Vou ser breve, pois tenho uma amiga nova. Vou sair com ela, vamos ao cinema, tomamos um copo e se calhar ainda apareço aqui com ela em casa, vai ser uma noite das antigas, uiiiiiii. Gosto que se pense por aí que eu sou homossexual, só eu e tu é que sabemos as aventuras que eu tenho com as miúdas, lembras-te quando lixei o Santana com a Cinha, espectáculo. Só eu, tu e a mama. O papá e o Miguel não sabem, eles são do PS e do Bloco. O que eles não sabem é que eu gostava de ser como eles publicamente, gajos sóbrios, cultos, urbanos, eu também sou assim, mas dentro de casa…e cas miúdas. Mas assim consigo o meu nincho de povinho conservador e atadito coitados, gostam de mim assim, esta personagem que eu fiz
Adiante, por falar em Miguel, hoje liguei ao Nuno Melo, que também é só gajas lá pela Europa, anda a conquistar o mulherio todo, aquelas boazonas do berlusconi, quem me dera tar lá. Elas gostam dos conservadores. Tenho que te contar o gozo que os europeus fazem com o Vital por lá. O Miguel é tão mauzinho que montou uma foto do Vital Moreira com o Avô Cantigas e distribuiu ao pessoal de lá, hilariante, depois conto-te melhor.
Humm, será que abro mais um botão da camisa para hoje a noite?
Ai, vou-me arranjar então..deixo já os candeeiros ligados com esta luz à Rembrandt e o Miles a tocar, e não me posso esquecer dos preservativos na cómoda não vá ela ser católica e não tomar a pílula. Que conservador…não me posso esquecer, eu publicamente também sou. Lembraste quando disse aquela do que queria ser pai? LOL, como se escreve pela net.
Bem, vou-me mesmo embora. Tenho de ir tomar um banho que cheiro a peixe que tresando. Passei a tarde nos mercados, como sempre, a prometer reformas maiores e apoios ás PME`s, ainda bem que a velhada se esquece que eu já fui ministro. Eu bem sei que o país não tem dinheiro para isso, mas como se voltar a ser governo é em coligação, a culpa é do outro.
A esquerda ainda hoje me agradece de ter acabado com a serviço militar obrigatório, sou tão de esquerda eu, mas não, conservador.
Anjo da Guarda,
minha companhia,
guadai a minha identidade
de noite e de dia.
Ou só de dia, até amanha, deseja-me sorte.
Diário de Francisco Louçã
Querido diário. Mais um dia bem passado. De manha telefonei ao Miguel a saber como estavam as coisas lá pela Europa. Diz que o pessoal por lá farta-se de rir com a figura do Vital, que distribuiu umas imagens do Avô Cantigas e que aquilo é uma risota pegada, mas para não me preocupar por cá, porque tudo é decidido lá, ainda que não passe nada pelas mãos dele. O que vale são as discussões da Ilda e do Melo, cada um mais alto que o outro e não se percebe nada. Depois reuni-me com o Fazenda, a meio da manha, o Rosas não apareceu, bebeu demais no dia anterior, tenho de ver se me lembro que de manha ele nunca pode vir e marcar reuniões para as 4 da tarde. O Fazenda está como eu, cheio de medo que o Santana ganhe aqui em Lisboa. Errei, errei, errei, porque é que também não me coliguei com o Costa. Estão lá todos, mas tive de manter a minha postura e dizer aos portugueses o que significa coerência.
A Ana Drago estava gira hoje mas não chega aos calcanhares da Marisa Matias, o Miguel levou-a lá pa Europa, que sacana. O Berlusconi é que sabe, é o meu modelo de político, mas só te digo isto a ti meu diário. Porque é que deixei escapar a Joana para o Soares, porque é que não apoie o Alegre nas últimas eleições. Será tarde agora?
Comi bem ao almoço, muito bem, num restaurante caro onde só vão burgueses. Eu sou um burguês de esquerda, como diz o Ricardo, sou mas também não o posso dizer, só a ti meu diário. Que bem que vestia o Sócrates hoje, será o Freeport que paga aquilo? Tirava-lhe a gravata e desabetoava um botão. Dois já parecia o irmão do Miguel, ai, tenho de ver se arranjo um novo estilo para o bloco, estamos a ficar parecidos com o CDS. Gola alta? Secalhar era melhor t-shirt, mas no Parlamento? Não sei, o Rosas que decida.
Preparei o meu discurso ao fim da tarde, chamei o Rosas para o redigir já estava sóbrio, mas após fumarmos duas ganzas com o pessoal do norte, o puto o Soeiro arranjou lá no Aleixo, foi com o Semedo fazer uma visita política mas na verdade iam comprar umas cenas para se fumar. O Teixeira Lopes não fuma. Eu não me meto nesses bairros, tenho medo, no Porto é só gunas, em Lisboa é só pretos. Que nojo. Se toda agente tivesse um trabalho digno é que era, mas não conseguimos. Espera, o bloco consegue, ou pelo menos diz que sim, não diz é como. Ah, ah, ah, mas como nunca vamos ser governo…
Burro que eu sou, tão burro. Tal como em Lisboa lá vai a direita ganhar outra vez, a Manela vai ganhar. Se eu não tivesse que ser coerente, mas tenho…Que lindo que era eu no governo do Sócrates, fazia umas falcatruas como eles e comprava um fatito em Los Angeles como o Sócrates e fazia férias numa praia paradisíaca.
Querido diário, já é tarde. Ajuda-me a não errar mais. Ajuda-me a não deixar fugir mais Joanas Amaral Dias, nem Migueis Vale de Almeida, que fico sem temas fracturastes. Agora já está. Pelo menos, ajuda-me a não deixar fugir as drogas e essas coisas alternativas para o PS, senão ficamos iguais ao PCP, mas mais bem vestidos é certo, ah, ah.
Ajuda-me meu Deus, ai, meu diário, livra. Agora tenho de ir em frente, sozinho, sem coligações, ajuda-me a ser a terceira força politica como fez o Miguel para a Europa. Se conseguir, prometo que não visto mais Ralph Loren e que trabalho realmente e tenho ideias reais para melhorar o país. Já me ajudaste uma vez a inventar este partido comunista moderno e progressista, esta esquerda moderna, seja lá o que isso seja, uma vez que nunca vamos ser governo. Livra., governo é que não. Oposição forever. Quer dizer…podemos ser governo, mas tenho medo, olha o que acontece em Cuba e na Rússia e na China,
se ao menos eu fosse PS como o meu cunhado ainda arranjava um tachozito num ministério…
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A Sôtora e a Senhora
- Não prometa nada que não possa cumprir Sôtora.
- Não o farei minha senhora.
- Sabe é que nós tamos mal, este Socas só nos fez mal, tamos pior muito pior, todos os anos tamos pior.
- Eu sei minha senhora, prometo que comigo será diferente, o pais vai melhorar
- Está a ver que já tá a prometer o que não pode Sôtora.
- Ora essa, será melhor comigo com certeza, teremos uma Justiça melhor, mais Segurança..
-Prendam esses pulhas que nos roubam e assaltam a toda a hora, esse Dias Loureiro que vá ter com o Oliveira e Costa, esses antigos ministros do seu amigo Cavaco, a Sôtora também foi ministra nesse ano não foi?
- Fui sim, aliás, eu fui ministra de todos os governos PSD desde então.
- Há, e não deu por nada?
- ….
- E esse Isaltino, também não era do seu partido?
-… Mas vamos melhorar a justiça minha senhora, e a educação
- A educação? Vão melhorar a educação? A senhora não era ministra da educação? Já viu estes jovens de hoje como eles são, não tiverem professores fortes como eu tive no tempo do Sr. Presidente do Conselho.
- Sim, mas eram outros tempos, agora é tempo dos professores voltarem a mandar na sala de aula.
- Muito bem, ao que isto chegou. Não foi a senhora que nos mandou apertar o cinto e andar de tanga?
- Fui sim senhor, era preciso sabe, os governos doPS gastaram tudo
- Do PS? Então mas não foi no tempo do Sr. Presidente Cavaco que o pessoal andou aí a gastar o dinheiro em jipes? Ele não soube fazer como em Espanha e investir na agricultura e na Indústria?
- Foram tempos difíceis minha senhora
- São sempre tempos difíceis Sôtora. E depois veio o Guterres com falinhas mansas e não fez nada, o Durão sentiu o cinto tão apertado que foi servir pasteis de belém pá Europa, o Santana, bem é melhor nem falar, e agora o Socas.
- Minha senhora, nós vamos ajudar a economia o mais que pudermos, para o investimento privado fazer crescer este país.
- Os privados? Ó Sôtora, os privados só despedem e pagam mal, o estado paga muito melhor, a tempo e horas, horas extra, saúde, férias.
- Mas o estado não consegue ter lucro minha senhora, por isso é preciso a gestão privada, o estado não sabe gerir, e sem investimento não há progresso.
- Não? Então é quem? O Oliveira e Costa e o Dias Loureiro?
- Há bons gestores minha senhora, bons gestores privados, que comigo ao leme deste país vão gerir as escolas e os hospitais e pôr o país a funcionar.
- Quê? Quer liberalizar as escolas e os hospitais Sôtora? É assim que se diz não é? Pra que? A educação e a saúde são funções do governo Sôtora, não têm de dar lucro, tem de servir o povo. Sabe que quando uma pessoa tá mal, por mais dinheiro que tenha não vai ó privado Sôtora, sabia? Sabe que as melhores universidades são públicas, sabia?
Eu não sei porque, sei é que é assim. E mais lhe digo Sôtora, privados? Não obrigado. Trabalho há 25 anos no mercado do Bom Sucesso e nasci no Bolhão. Assisti a tudo. Salazar, Democracia, Estado Providencia, Privados a tomar o poder e sabe o que é que acontece?
- Ora diga minha senhora.
- A fruta que comemos neste país é má, porque o raça dos privados só querem saber de shoppings e condomínios fechados, de dar conforto e comodismo ao povo, andam de lá para cá, do ar condicionado da casa, para o do carro, para o do emprego, para o do shopping, não andam aqui por estas bandas, pela cidade, não compram nada aqui e daqui a um anito isto tá transformado num shopping. Eu já estou velha, vou ter a minha reforma porque descontei para a segurança social, que ainda é dada pelo estado, pouca mas é, mas sabe o que é que me custa mesmo Sôtora?
- Diga
- É que o povo coma fruta má…
o verão
Também o ministério da criatividade andou pela silly season. É verdade, também fazemos férias. Destino misterioso o nosso que não divulgamos.
Teremo-nos endividado uma vês mais, depois de um ano sem privações para ir para uma praia paradisíaca numa ilha tão pequena que não encontramos num mapa que não faça zoom?
Ou teremos passado um ano de privações e finalmente duas semanitas de desforra, onde a loucura reina a compensar um dia a dia miserável?
Teremos andado de bermudas e havaianas para os meninos e finíssimos biquinis para as meninas a passear a toalha? Ou de t-shirts sem mangas e bonés à lá CR9?
Teremos uma casa de férias ou alugamos quartos de hotel baratos que trocamos todas as noites só pelo prazer de experimentar um espaço novo?
Teremos jantado comida ocidentalizada ou degustado a tradição local?
Teremos comprado jornais ou não, porque verão que é verão um gajo desliga-se, como se no resto do ano quisesse saber?
















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